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terça-feira, 15 de março de 2011

O CASAMENTO

Meu casamento não foi na igreja, como eu queria.

Meu casamento foi às pressas! No cartório.

E no dia do meu casamento, estava tão transtornada, que não pude sentir a felicidade plena de que todas comentam. Para mim, por mais feliz que estivesse casando com o Lê, aquele dia foi triste.

Triste de nem comparecer no almoço oferecido pela minha mãe àqueles que foram ao cartório. Proibi minhas amigas de comparecerem.

Naquele dia eu queria que tudo acabasse logo, quando geralmente as noivas querem que aquele momento dure para sempre...

Chorei muito. De tristeza (pelo pensamentos que inundavam minha mente), de felicidade no momento de dirigir as palavras ao meu esposo, declarando meu amor eterno em todos os momentos de nossas vidas e quando chegamos ao nosso destino da lua de mel.

Hoje, passado dois anos e meio, repenso em tudo isso e fico imaginando que tudo poderia ser diferente se naquela época eu tivesse a cabeça que tenho agora.

Infelizmente já foi...

E saber disso dói. Muito. E me dá vontade de chorar, novamente. Como acontece neste exato momento...

Tenho vontade de ainda fazer uma festa para celebrarmos a nossa união, como uma de casamento mesmo, com direito a bolo com noivinhos no topo... E fico sonhando em fazer isso junto com a inauguração do nosso ap. Uma festa só, sabem? Open House, Casamento e Batizado do Lucas. Muitos cup cakes, lembrancinhas, flores, decoração, amêndoas, bem casados, bem nascidos...

Um dia, quem sabe...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O Pequeno Lucas


Completaram-se exatos 730 dias, em 08/01/2011, que deixei o planeta A2508. Quando o fiz, era porque queria, e estava na hora, de conhecer outras culturas. As daqui do planeta Terra, principalmente.

O planeta no qual morava era muito pequeno e aconchegante. Lá, de mais importante, havia eu e uma formosa rosa, com quem conversava frequentemente. A rosa era muito experiente: veio de um planeta chamado MI1205 e trazia consigo todos os costumes de lá. Me contava histórias, envaidecia-me, davá-me conselhos, até cantava para mim! Olha, passamos ótimos tempos juntos, só nós dois...

Contudo, eu crescia e o planeta parecia diminuir para mim. Pequeno demais para mim e para minha rosa, eu diria. Ela me dizia tanta coisa sobre experiências que tivera em outros planetas que encorajou-me a partir, deixando-a 'só'. Garantiu-me que encontraria aqui um amigo muito especial que cuidaria de mim. Às vezes, sinto muita falta e vontade de voltar para o meu planeta, o A2508. Acredito que minha rosa também sinta muita falta de mim. No entanto, aqui na Terra ainda tem muuuuita coisa para eu descobrir.

Logo que aterrisei aqui, encontrei meu super amigo que também havia vindo de outro planeta, o VL0102. Coincidentemente, também conhece o A2508 e o MI1205, acredita? E é este meu companheiro quem me ensina, dia pós dia, a viver, compreender e aprender como devo cultivar esse povo aqui da Terra. Aos seus ensinamentos somo os conselhos que trouxe do meu planeta, da minha rosa.

Descobri, por exemplo, que há inúmeras, milhares, incontáveis unidades de rosas por aqui. Todas elas, garantiu meu amigo, tem sua importância contudo, o tempo que dediquei a minha rosa que a fez tão importante e única para mim. Sempre saberei aonde encontrá-la. E ela sempre me receberá com todo o amor do espaço sideral. Mas, posso conviver muito agradavelmente com as que encontro por aqui ensinou-me, também, o meu amigo.

Numa noite de céu limpo e estrelado, meu amigo aconselhou-me a admirar e cativar as estrelas sobre mim. É diferente o contato estando aqui. E maravilhoso! Lá do meu planeta, sentia-as tão próximas, porém não podia tocá-las. Aqui consigo, de fato, sentir seus toques, suas luzes, seus tilintares... Porque as estrelas que descobri ao lado do meu super amigo tilintam e me iluminam. E eu as adoro! 

Agradeço a todos que estiveram no meu 2º aniversário. Em especial à minha Adriana, quem o realizou.



Lucas Matos de Castro

domingo, 5 de setembro de 2010

No terminal de ônibus

O dia a dia de uma dona de casa, mãe de família, que trabalha é muito previsível. O meu, ao menos, é. Acordo cedo junto com meu filho e juntos acordamos meu marido. Peço a ele que, enquanto me arrumo, arrume o progênito. Ele decide tomar banho, primeiro, e o progênito fica sob meus cuidados. Quando sai do banho peço que arrume o lanche do bambino enquanto me arrumo, mas meu marido precisa checar o nível do óleo do carro...

Entre passadelas do quarto para a cozinha arrumo o lanche do pequeno e me arrumo tomando todo cuidado para não inverter a situação. Então saio de casa. Finalmente. Atrasada, como sempre.

No terminal de ônibus analiso as pessoas que transitam naquele local. É uma quantidade absurda de pessoas que chegam e apossam-se de lugares nas filas, de pessoas que desembarcam dos ônibus que estão chegando. Há filas nos quiosques de tapioca, dos sucos, cafés e cafés com leite, do pão de queijo Ryco e do pão de quijo sem nome, e claro, não posso deixar de mencionar a maior estrela de toda atividade matinal daquele terminal: o carrinho de mão transportando um panelão de canjica com leite em pó.

Como disse, a canjica é transportada em panelões industriais sobre os carrinhos de mão. Ao redor do panelão o vendedor deixa à mostra latas de leite Ninho e uma bisnaga de catchup com canela, opcional. Servida em copo descartável é vendida em dois tamanhos, acompanha guardanapo e colher.

Nunca experimentei, mas tenho lá minha curiosidade. Será que é quente? Doce? Ralo?

Tem quem assopre antes de colocar na boca. Há aqueles que enchem a colher, a enfiam na boca e a colher volta com menos canjica. Comer pelos cantinhos do copo é uma maneira de não queimar a língua se estiver quente, acredito. Tem gente que só abastece meia colher, talvez para demorar mais a chegada do fim. Tem, até, aqueles que compram ainda na fila do ônibus e só vão comê-la quando estiverem sentada dentro do meio de transporte.

Nas filas é comum as pessoas pedirem para 'guardarmos' o seu lugar enquanto vai pegar uma canjica, canjiquinha, docinho (formas que eu já ouvi). É automático repondermos 'vai lá'.

Hoje, porém, em fração de segundos, a sra. gordinha com raíz capilar aparente e sorriso no rosto, ao me solicitar tal favor, me deixou desnorteada. Ao pedir para guardar seu lugar na fila para pegar uma 'canjiiiiica', a pronúncia do 'jiiiiii' chiou em meu rosto o hálito matinal do ser humano. Consequência do espaço tão grande entre seus dentes centrais que não podem bloquear, nestes casos, a saída do ar, e eu não pude deixar de desenhar em minha mente a imagem do grão da canjica disfarçando aquele buraco.

Fiquei, durante a viagem até a Paulista, relembrando a situação. Ri sozinha. Contei-me esta história diversas vezes para poder escrevê-la, ri novamente. Aproximando-se do meu ponto começo a ir para o fundo do ônibus. Arrumo o cabel, puxo a blusa que subiu, ajeito a bolsa no ombro e olho para as pessoas que estão na última fileira. Chega meu ponto. Meu olhar encontra o olhar da sra. gordinha com raíz capilar aparente. Ela dá um sorriso. Nenhuma canjica.